A
"segunda onda" do ERP e a Teoria das
Restrições (TOC)
"Não é melhorando o desempenho
das partes que conseguimos melhorar o desempenho
global" - Eis uma verdade científica
que insistimos em negar.
Na "primeira onda", o que o ERP
trouxe foi a ágil integração
de várias funções da
organização (principalmente
voltada aos controles). Foi a fase em que
a tecnologia começou a permitir a gestão
sistêmica (mas ainda não holística).
Ora, quando tocamos em todos os elementos
de um sistema, para melhorá-lo, estamos
abordando de modo sistêmico. Mas somente
quando melhoramos o sistema através
de seus poucos e essenciais elementos é
que estamos exercendo gestão holística.
São os ERP (e seus módulos)
da "segunda onda" que estão
trazendo o holismo. Não é por
coincidência que vários deles
incorporam algoritmos da Teoria das Restrições
- TOC, principalmente no Supply Chain Management,
tornando possível um gerenciamento
cada vez mais global, da cadeia, através
da gestão de suas poucas restrições
(vide módulos de planejamento avançado,
com base no conceito de capacidade finita).
Não foi preciso criar uma "segunda
onda" da TOC para torná-la aplicável
à gestão de melhoria global.
Porque ela já nasceu assim. Em todas
as suas metodologias, desde as de Logística
até a de Planejamento Estratégico,
passando pela de Finanças e de Habilidades
Comportamentais, o que há de comum
é justamente a rejeição
ao conceito de que a melhoria das partes conduz
à melhoria do todo.
Esta postura da TOC, juntamente com o seu
compromisso com a lógica e com a simplicidade,
formam sua "marca registrada". Vamos
ver alguns exemplos de paradigmas trazidos
pela TOC:
1. Na Logística de Produção,
a principal preocupação metodológica
é o desempenho (exploração)
do gargalo, por estabelecer o desempenho global.
Uma segunda preocupação é
a subordinação dos não-gargalos
ao ritmo do gargalo e jamais a maximização
de sua eficiência pois isto só
aumentaria o inventário no processo,
prejudicando o desempenho global.
2. No Gerenciamento de Projetos, a TOC comprova
que o melhor desempenho global se obtém
quando as folgas programadas contra as incertezas
são retiradas das tarefas e agregadas
em um pulmão protetor do ramo crítico.
3. Na Contabilidade Gerencial, a TOC redefine
os parâmetros financeiros para tornar
a decisão diretamente relacionada às
restrições e ao resultado global
e não aos resultados parciais expressos
por margem de lucro por produto.
4. No planejamento estratégico, os
Projetos Holísticos TOC partem da identificação
das causas-raiz dos vários sintomas
- diagnose global - para poder criar as estratégias
que compõem a solução
de mínima interferência. É
o foco em poucos elementos para atuar globalmente.
Mas ainda mal começamos a explorar
esses novos rumos. A tecnologia de informação
não é, e tudo indica que continuará
não sendo, a restrição
nesse processo de evolução.
Novos conceitos de gestão holística
também não faltam - está
ai o pacote metodológico da Teoria
das Restrições para suprir os
anseios culturais dos gestores de vanguarda.
A maior dificuldade estará em mudar
os conceitos de uma maior quantidade de gestores.
Não há TI que consiga mudar
convicções enraizadas. Tecnologia
é necessária, sim, mas não
suficiente. O que trará a suficiência
será outro tipo de tecnologia - a da
reconceituação. Mas isso não
pode ser a "terceira onda", tem
de ser o complemento da segunda. Caso contrário
não chegaremos à desejada suficiência.
A TOC está alinhando a gestão
administrativa ao processo científico.
Celso G. Calia
Goldratt Consulting
Sócio-Diretor