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Livro também é mídia
Por Miguel Abuhab

Cada vez é mais difícil manter as crianças nas escolas. O nível de desemprego faz com que as famílias procurem escolas públicas para seus filhos e, ainda assim, aqueles que podem optar por uma escola particular enfrentam muitas dificuldades em poder comprar os materiais no início de cada ano.

Por outro lado, empresas gastam milhões de reais para atingir um público alvo para divulgar seus produtos em mídia adequada e segmento de mercado. O fato é que, de uma forma ou de outra, as empresas atingem seus objetivos e o seu mercado alvo. Somente dependem da escolha de uma mídia adequada. De maneira geral, os veículos utilizados significam altas somas por minuto de televisão, ou por publicações em periódicos que são jogados fora dentro de uma semana.

O que está limitando a visão para termos uma educação mais barata é a ortodoxia de que os livros escolares não podem ter conteúdo comercial.

Ora, por onde a criança passa é atingida por conteúdo comercial. Não é isto que irá influenciar na boa ou má educação da criança. O importante é que aprenda as lições de matemática, geografia, meio ambiente, etc.

Assim sendo, por que não oficializar que livros e cadernos escolares possam ter conteúdo comercial?

A exemplo do que já foi feito em Joinville, onde as empresas pagaram por uniformes escolares, dever-se-ia permitir que as editoras de livros vendessem conteúdo comercial nos livros escolares, desde que estes sejam distribuídos gratuitamente para escolas públicas e particulares.

Certamente, deveriam ser adotadas algumas estratégias complementares, como não permitir anúncios de produtos inadequados às crianças e limitar o número de páginas de conteúdo comercial em cada publicação.

Assim, as agências de propaganda passariam a contar com mais uma mídia para sugerir aos seus clientes. Poderiam ser feitos canetas, lápis, cadernos, livros e todo material escolar desde que distribuído gratuitamente. Ao contrário das demais mídias, que duram 30 segundos, ou uma semana, esta mídia dura o ano todo, e muitas vezes ainda fica para recordação ou para o irmão mais novo.

Por que não termos no material escolar conteúdo comercial tal como: “Nescau tem gosto de Festa”, “Coca Cola é isso aí”? Por que não a Antarctica patrocinar o livro de matemática para o primeiro ano do segundo grau e a Nestlé patrocinar o livro de história do terceiro ano do segundo grau?

Fica aqui a sugestão aos nossos governantes para que façam um projeto de lei.

Outubro/2003

As opiniões aqui expressas são de responsabilidade do autor, e podem não representar a opinião das entidades das quais participa.

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® Miguel Abuhab 2004. Todos os direitos reservados.