Meio Ambiente - Uma visão holística
Por Miguel Abuhab
Quero abordar mais uma vez o conceito de visão holística.
Quando temos um ambiente em equilíbrio, e neste definimos um espaço para fazer dele ótimo local, podemos gerar efeitos indesejáveis fora deste espaço.
Porém, nós aprendemos na escola a procurar o ótimo local. Isto é da natureza humana.
Como engenheiro, aprendi que podemos definir um espaço, que é o motor de combustão interna, onde colocamos combustível e extraímos potência. Como efeito indesejável, liberamos CO2, mas este não é um problema do engenheiro. O engenheiro tem a sua visão limitada ao seu ótimo local.
Da mesma forma, o engenheiro químico aprende a fazer os agrotóxicos para aumentar a produtividade na lavoura, mas não aprende o que fazer com os efeitos indesejáveis gerados fora deste espaço.
“Estes são problemas dos ambientalistas” - diriam os engenheiros. E, neste caso, alguns sujam e outros limpam.
O ótimo local é como o ar condicionado, que esfria de um
lado mas esquenta do outro.
Portanto, o Ótimo Global não é a soma dos Ótimos Locais.
Assim, quando adotamos uma estratégia, precisamos avaliar quais são os efeitos indesejáveis que poderão aparecer fora do espaço definido e adotar estratégias complementares para anular os efeitos indesejáveis das estratégias principais.
No caso especifico do meio ambiente, sabemos de ONGs, como é o caso da Klimata, em Florianópolis, que, dentro de sua missão, se propõem
a ir às escolas estaduais e municipais, patrocinados por empresas, para ensinar
aos professores como deve ser a educação ambiental para as crianças.
Isto está sendo feito por idealistas para ensinar aquilo que poderia ser obrigatório no currículo escolar. A educação ambiental deveria ser obrigatória em todos os níveis de ensino, desde o primeiro grau até os cursos superiores, abordando o tema nos níveis necessários. A criança aprenderia a proteger a natureza,
a reciclar lixo etc, e poderia inclusive aprender um processo de raciocínio holístico, a exemplo do que já ocorre em alguns países desenvolvidos. Nas faculdades de engenharia, arquitetura, administração de empresas, cada um iria aprender o que fazer com os efeitos indesejáveis de seus subprodutos.
No caso especifico da água, observamos que muitas vezes temos enchentes em nossas cidades, outras vezes temos falta de água. Sabemos que o progresso exige construções de edifícios e estradas. Se fizermos uma análise holística desta estratégia, identificamos que, como efeito indesejável, temos a impermeabilização do solo, e que quando chove a água não infiltra no solo para realimentar o lençol freático. Todos sabemos disto! Mas continuamos construindo as cidades sem adotar estratégias complementares para anular os efeitos indesejáveis das estratégias principais.
Quantas enchentes não presenciamos no Balneário de Camboriú, ou em Joinville?
Em São Paulo, o Maluf mandou construir um “piscinão” para manter a água da chuva até que o volume das águas viesse a baixar, para daí bombear a água para os rios. Este é o caso típico do governo ter que adotar estratégias para corrigir alguma falha que não foi pensada na construção da cidade, quando se pensava apenas no ótimo local.
Se hoje sabemos dos efeitos indesejáveis do asfalto e das construções, podemos adotar a seguinte estratégia complementar:
Todos os novos edifícios no Estado de Santa Catarina deverão ter uma cisterna para armazenar as águas das chuvas e estas águas deverão ser bombeadas para uma caixa de água que irão servir
às descargas dos vasos sanitários, torneiras para jardim, lavação de veículos e tudo
o que pode ser feito com água não tratada. Com isto, iremos evitar as enchentes em épocas de chuvas e economizar água tratada quando baixarem os níveis dos reservatórios por excesso de demanda, ou por falta de chuvas.
Fica aqui a nossa sugestão aos governantes deste País para desenvolver projetos de lei neste sentido.
Outubro/2003
As opiniões aqui expressas são de responsabilidade do autor, e podem não representar a opinião das entidades das quais participa.
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