Afinal,
o que é a taxa de desemprego?
Por Miguel Abuhab
Há muito tempo acompanhamos as taxas
de desemprego anunciadas pelas diversas colunas
de economia.
Os países desenvolvidos, usando os
argumentos de que seu desemprego ainda é
alto, resolvem adotar medidas de proteção
aos seus empregos, colocando barreiras à
importação nos seus países.
Recentemente, assistimos a elevação
das taxas de importação do aço
nos Estados Unidos, já que o desemprego
naquele segmento estava alto. Falava-se de
uma taxa de desemprego de 8%. Aparentemente,
estava tudo explicado, já que a taxa
de desemprego no Brasil andava também
por volta deste número.
O fato é que a taxa de desemprego
precisa ser trazida à mesma base, ou
ainda trazida para o denominador comum.
Taxa de desemprego de 8% num país
rico significa que 8% das pessoas que perderam
seu emprego não querem trabalhar por
um salário de alguns milhares de dólares
mensais.
Taxa de desemprego de 8% nos países
em desenvolvimento significa que as pessoas
que perderam seu emprego não conseguem
trabalhar por cem reais por mês, o que
equivale a três cestas básicas.
Para trazer tudo à mesma base seria
necessário identificar nos países
ricos qual o percentual da população
desempregada que não arrumaria trabalho
por três cestas básicas por mês.
Agora sim, agora estamos na mesma base. Agora
poderemos entender que o nível de desemprego
nos países ricos está muito longe dos níveis
de desemprego dos países do terceiro mundo.
Se a negociação com a ALCA
tem como objetivo o mercado comum nas
Américas,
é preciso que se negocie um equilíbrio
na taxa de desemprego, e para isto será
necessário usar a mesma base, ou seja,
trazer tudo para o denominador comum. Aí
sim, aí podemos fazer a globalização
em igualdade de condições.
Abril/2003
As opiniões aqui expressas são de responsabilidade do autor, e podem não representar a opinião das entidades das quais participa.
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