Política
de Desenvolvimento Industrial
- Um Conflito?
Por Miguel Abuhab
Por ser uma pessoa da área de tecnologia,
fico muitas vezes assustado com o que ainda
há por vir.
O Brasil é o país que mais
cresce em automação e em número
de robôs. Agora entraremos em uma fase
onde os próprios custos dos robôs
serão reduzidos, o que significa mais
automação e conseqüentemente
mais desemprego.
Se o objetivo da Política de Desenvolvimento
Industrial é o crescimento da economia,
precisamos ver o problema de maneira holística.
Ao contrário do que temos feito, olhando
o problema apenas de maneira local.
Nós fomos acostumados a analisar os
problemas de forma a obter um ótimo
local para nossas empresas, mas não
para nosso país. O ótimo global
não é a soma dos ótimos
locais. De maneira geral, os sistemas estão
em equilíbrio e, quando resolvemos um
problema objetivando o ótimo local,
estamos por um lado gerando os efeitos desejáveis,
mas por outro lado os indesejáveis.
É como o ar condicionado: refrigeramos
um lado e esquentamos o outro.
Todos nós, empresários e executivos,
pensando no ótimo local, sempre objetivamos
o aumento da produtividade, pois acreditamos
que somente assim seriam resolvidos os problemas
do nosso país. Assim, a cada ano as
empresas produzem cada vez mais com cada vez
menos pessoas. Contudo, percebemos que não
estamos resolvendo nossas questões.
Todos os dias vemos crescer a violência,
fome, drogas, prostituição e
tantas outras ameaças sociais que são
os efeitos indesejáveis.
O fato é que existe um conflito que
bloqueia nosso objetivo principal e, se este
conflito não for resolvido, não
teremos empresas em crescimento.
Política de Desenvolvimento
Industrial

Para termos empresas saudáveis, é
condição necessária que
estas sejam competitivas, e para aumentar
a competitividade é necessário
automatizar e demitir.
Por outro lado, para termos empresas saudáveis,
é necessário haver consumidores,
e para termos consumidores é necessário
manter e gerar empregos.
Por um lado precisamos demitir e por outro
lado precisamos manter e gerar novos empregos.
Este é o conflito que precisa ser resolvido.
Precisamos perceber que apenas aumentar a
produtividade de nossas empresas não
vem trazendo os resultados esperados à
economia do nosso País.
Segundo Eliyahu Goldratt "Quando estamos
num buraco a primeira coisa que temos que
fazer é parar de cavar". Ou seja,
se aquilo que estamos fazendo não resolve
o problema, então devemos identificar
outras estratégias para solução
do problema.
O fato é que, focando exclusivamente
a competitividade, acabamos demitindo o nosso
consumidor, o que não é saudável
às empresas. Portanto, na Política
para o Desenvolvimento Industrial deveríamos
incluir estratégias de como manter
e gerar consumidores.
Nós empresários somos obrigados
a jogar o jogo dentro das regras estabelecidas,
mas as associações dos empresários
devem trabalhar para mudar as regras do jogo.
Entendo que, por ser da área de tecnologia,
faço parte do problema, e, sendo parte
do problema, devo fazer parte da solução.
Entendo que todos os empresários, de
alguma forma, fazem parte do problema, então
todos devemos fazer parte da solução.
O importante é que venhamos a constituir
um grupo de trabalho que possa discutir uma
"Proposta dos empresários para
manter e gerar empregos".
Certamente podemos debater esta sugestão
e incluir outras, adotando uma visão
holística do problema.
Novembro/2002
As opiniões aqui expressas são de responsabilidade do autor, e podem não representar a opinião das entidades das quais participa.
Voltar