Afinal,
como gerar milhões de empregos?
Por Miguel Abuhab
Um dos desafios do novo Governo é
cumprir a promessa de gerar milhões
de empregos.
Um dos principais desafios que o novo Governo
vai enfrentar é a luta contra o desemprego,
cujo remédio é a criação
de empregos.
Para proporcionar a geração
de empregos, as empresas têm que ser
lucrativas, porém, muitas não
conseguem um lucro mínimo para remunerar
seu capital e a maioria ainda luta pela sua
sobrevivência.
Pressionadas, tomam as medidas possíveis
dentro da legislação em vigor
e fazem cálculos para identificar processos
mais econômicos, objetivando a redução
de custos e conseqüentemente a sua sobrevivência.
Assim, em muitas situações,
após simulação de custos,
as empresas acabam optando por substituir
homens por máquinas. Como o governo
pode agir para manter os atuais e gerar novos
postos de trabalho?
Certamente, nos cálculos feitos pelos
empresários antes da decisão
de automatizar, os valores pagos em impostos
são considerados. Ora, tanto o sistema
tributário atual como as diversas propostas
da reforma tributária não prestigiam
as empresas que empregam mais.
Tanto o atual ICMS/ IPI como o Imposto
sobre o Valor Agregado, previsto na Reforma
Tributária, não consideram a
origem do valor agregado. Nestas modalidades
de impostos não está sendo considerado
relevante se o valor agregado é decorrente
do custo de pessoal ou do custo de depreciação
dos equipamentos, muitas vezes até
importados.
Temos que entender que o empresário,
por uma questão de sobrevivência,
vai decidir sempre por obter maior competitividade.
Se não houver vantagem em manter os
empregados, se o sistema tributário
não conceder benefícios àquele
que emprega mais, as pessoas, cada vez mais,
serão substituídas por máquinas.
Exemplificando: Duas usinas de açúcar
- uma delas com sistema manual, empregando
cortadores de cana, e a outra totalmente automatizada.
Tendo as duas o mesmo valor agregado pagarão
os mesmos impostos.
Portanto, qual a vantagem de empregar mais
trabalhadores e privilegiar o emprego?
O sistema tributário deveria conceder
benefícios a quem emprega, a fim de
incentivar a manutenção e a
geração de empregos.
No exemplo acima, enquanto se mantém
o emprego, haverá o pagamento de impostos
sobre salários. No entanto, havendo
a substituição por máquinas,
não haverá recolhimento destes
impostos. Em decorrência disso, o Governo
arrecadará menos das empresas que automatizarem,
quando deveria ser exatamente o contrário.
Deveria-se associar um redutor ao valor gasto
em folha de pagamento, de maneira que as companhias
que empregassem mais contribuíssem
com menos impostos. Isso, certamente, iria
estimular as organizações a
manterem o emprego formal, evitando a demissão
de trabalhadores ou, em última análise,
a demissão dos consumidores. Dessa
forma poderíamos preservar os empregos
atuais e gerar os novos, impulsionando a economia.
Portanto, a resposta para a questão
da geração de milhões
de empregos, está diretamente relacionada
à questão tributária.
No cálculo de impostos a pagar deveria
converter-se, como crédito, um certo
percentual dos valores pagos em salários,
privilegiando assim aquela empresa que empregasse
mais em detrimento daquela que empregasse
menos. Só assim salvaríamos
muitos empregos e criaríamos milhões
de postos de trabalho adicionais.
O imposto que incide sobre salários
objetiva o pagamento dos aposentados, mas
o fato de uma empresa automatizar e demitir
o empregado atual não significa que
o aposentado deixou de existir.
Portanto o imposto a ser arrecadado para
pagamento dos aposentados deveria ser sobre
a venda e não sobre salários.
Assim, a automação em si não
eliminaria os recursos para pagamento dos
aposentados.
Nesta condição, não
havendo impostos sobre salários, haveria
um motivador para evitar a automação,
mantendo-se assim os empregos e criando novos.
Fica aqui a sugestão ao novo Governo,
e aos políticos em geral, para que
tal projeto seja desenvolvido nas diversas
esferas de Governo em nosso país.
Julho/2002
As opiniões aqui expressas são de responsabilidade do autor, e podem não representar a opinião das entidades das quais participa.
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